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O saldo comercial da indústria brasileira de calçados encolheu mais de 56% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os números, divulgados pela Abicalçados em 8 de outubro com base nos registros da Secex, mostram um movimento em tesoura: as exportações caíram para 71,6 milhões de pares e US$ 621,14 milhões (queda de 6,7% em volume e de 15,6% em receita), enquanto as importações subiram para 36,6 milhões de pares e US$ 491,25 milhões (alta de 9,1% e de 12,5%, respectivamente). Pela diferença entre os dois totais, sobram cerca de US$ 130 milhões de superávit no acumulado do ano.

Setembro, isoladamente, trouxe algum alívio nos embarques: 9,15 milhões de pares e US$ 79,7 milhões, praticamente estável em volume (-0,5%) e com queda de 6,6% em valor. As compras externas, porém, aceleraram: 3,57 milhões de pares e US$ 61,55 milhões, com a receita 23,7% acima de setembro de 2025.

Dois mercados explicam boa parte da queda

Os Estados Unidos seguem como principal destino do calçado brasileiro, com 7,9 milhões de pares no ano, mas a receita recuou 23,8%, para US$ 130,84 milhões. O volume caiu bem menos (4,3%), sinal de que os exportadores estão cedendo preço para manter clientes diante das sobretaxas americanas, que chegam a 37,5% para parte da pauta brasileira e hoje estão na mesa do grupo de trabalho criado por Brasil e EUA para negociar as tarifas.

Na Argentina, segundo maior comprador, o tombo foi ainda mais forte: 6,17 milhões de pares e US$ 74,33 milhões, com quedas de 43,7% em volume e de 52% em receita. O Paraguai, terceiro destino, comprou 6 milhões de pares (-14,7%), mas pagou mais por eles: a receita subiu 6,4%, para US$ 35,9 milhões. Fora da Argentina, a América Latina como um todo cresceu 11,2% em dólares e 10,4% em pares, o que mostra que a diversificação está acontecendo, embora ainda sem escala para compensar as perdas nos dois maiores mercados.

O peso do Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul segue na liderança, com 25,26 milhões de pares e US$ 309,2 milhões, praticamente metade de toda a receita exportada pelo setor no país. O detalhe que preocupa é a diferença entre as duas linhas: o volume gaúcho subiu 2,1%, mas a receita caiu 14%. Em outras palavras, as fábricas do Vale do Sinos e da Serra estão embarcando mais pares por menos dinheiro. O Ceará, segundo colocado, perdeu nas duas frentes (19,6 milhões de pares, -19%, e US$ 108,43 milhões, -23,8%).

Quem ocupa o espaço no mercado interno

Do lado das importações, o Vietnã lidera em valor, com 11 milhões de pares e US$ 250,66 milhões (+31,1% na receita). A China vem logo atrás em volume, com 10,74 milhões de pares (+22,5%), mas a apenas US$ 37,5 milhões, o que dá um preço médio próximo de US$ 3,50 por par, contra mais de US$ 22 no calçado vietnamita. A Indonésia completa o grupo, com 6 milhões de pares e US$ 109,65 milhões.

A Abicalçados atribui a pressão à reorganização dos fluxos globais: com barreiras em mercados como o americano, a produção asiática busca outros destinos, e o Brasil entra nessa rota. A entidade também aponta o crescimento das pequenas remessas de plataformas internacionais, que entram com tratamento tributário diferente da importação formal. Esse canal ficou mais controlado desde 1º de outubro, quando a declaração de remessa expressa passou a exigir NCM e código de classificação tributária.

O que observar até o fim do ano

Para o exportador, o calendário da negociação com Washington é o ponto central. A expectativa do governo é receber a proposta americana nas próximas semanas, e a prioridade brasileira é ampliar a lista de produtos isentos da sobretaxa antes de buscar uma reversão mais ampla. Enquanto isso não se resolve, vale revisar contratos e prazos de embarque e checar se os atos concessórios de drawback com exportação para os EUA podem usar a prorrogação excepcional prevista na MP 1.386/2026, para não perder o benefício por um compromisso de exportação que ficou difícil de cumprir.

Para quem importa calçados ou componentes, o cenário pede atenção à classificação fiscal e ao valor declarado. Em setores sob pressão de importação, a indústria costuma recorrer à defesa comercial, e operações com preço muito abaixo da média tendem a chamar a atenção da fiscalização. O quadro geral da balança, com o superávit de US$ 7,7 bilhões em setembro puxado pela Europa, mostra que o problema do calçado é setorial, e não da balança como um todo. Se precisar avaliar o efeito disso na sua operação, a equipe da Efficienza está à disposição.

Fonte: Jornal do Comércio – Com pressão das importações, balança comercial de calçados despenca 56% (08/10/2026), com dados da Abicalçados/Secex; Comex do Brasil (09/10/2026).

Autor: Redação Efficienza

Publicado em 1º de agosto de 2025

Exportadores brasileiros de petróleo decidiram suspender temporariamente os embarques para os Estados Unidos diante da incerteza em torno da nova tarifa de 50% anunciada pelo governo norte-americano. A medida, que deve entrar em vigor nos próximos dias, levou empresas como Petrobras, Shell, TotalEnergies, Equinor e ExxonMobil a interromperem os envios ao país para evitar perdas financeiras em caso de aplicação retroativa da alíquota.

Embora o petróleo bruto estivesse inicialmente incluído na lista de exceções à tarifa majorada, a falta de confirmação oficial sobre essa exclusão gerou cautela no setor. Parte da produção já destinada aos Estados Unidos está sendo armazenada em navios-tanque enquanto o cenário não se esclarece. De acordo com a Associação Brasileira de Petróleo (IBP), o volume exportado ao mercado norte-americano representa uma média de 243 mil barris por dia, o que torna o impacto imediato considerável.

A suspensão dos embarques evidencia o alto grau de sensibilidade das operações internacionais às decisões políticas e tarifárias, e reforça a importância de estratégias comerciais flexíveis. Enquanto isso, o setor avalia rotas alternativas e redirecionamento para outros mercados, especialmente no continente asiático. A situação é acompanhada de perto por autoridades brasileiras e líderes empresariais, que esperam uma definição clara dos critérios de isenção por parte do governo dos EUA para que as operações possam ser retomadas com segurança.

Autora: Alice Danielle Stefanon