O ano de 2025 foi marcado por um ambiente de comércio exterior mais complexo, volátil e fortemente influenciado por fatores geopolíticos, econômicos e regulatórios. Após um período de recuperação parcial do comércio global nos anos anteriores, 2025 consolidou uma fase de maior fragmentação do sistema internacional, caracterizada pelo aumento de conflitos tarifários, pelo uso mais intenso de medidas de defesa comercial e pela busca de acordos regionais como alternativa ao enfraquecimento do multilateralismo.
As tensões comerciais entre grandes economias permaneceram no centro do cenário global. Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram disputas envolvendo tarifas, subsídios industriais e barreiras regulatórias, afetando setores estratégicos como energia, indústria automotiva, tecnologia, alimentos e produtos agrícolas. Essas disputas elevaram os custos do comércio, aumentaram a incerteza para empresas exportadoras e pressionaram cadeias globais de valor, que passaram a priorizar diversificação geográfica, segurança de suprimentos e redução de riscos.
Nesse contexto, acordos bilaterais e regionais ganharam protagonismo ao longo de 2025. Países e blocos econômicos aceleraram negociações para reduzir dependência de mercados tradicionais e mitigar os impactos das guerras tarifárias. O fortalecimento de parcerias na Ásia, no Oriente Médio e na África refletiu uma reorganização do comércio internacional, com maior peso para economias emergentes e mercados em crescimento.
Para o Brasil, 2025 foi um ano de consolidação estratégica no comércio exterior. O país manteve relevância como grande exportador de commodities agrícolas, minerais e energéticas, ao mesmo tempo em que buscou ampliar a diversificação de destinos e produtos. A Ásia continuou a se destacar como principal eixo de expansão, especialmente por meio do aprofundamento das relações com países da ASEAN, como Tailândia, Indonésia, Vietnã e Malásia. O agronegócio seguiu como principal motor das exportações, mas houve avanços também em produtos industrializados, energia e insumos de maior valor agregado.
O ano também evidenciou desafios estruturais para o comércio exterior brasileiro, como a necessidade de maior competitividade logística, adaptação a exigências ambientais e sanitárias mais rigorosas e enfrentamento de barreiras comerciais impostas por parceiros estratégicos. Ao mesmo tempo, o Brasil se beneficiou de oportunidades abertas pelas disputas entre grandes potências, ocupando espaços deixados por fornecedores afetados por sanções ou tarifas elevadas.
As perspectivas para 2026 indicam a continuidade desse ambiente de cautela e reconfiguração. A tendência é de manutenção das tensões tarifárias e do uso de instrumentos de defesa comercial, com impacto direto sobre o crescimento do comércio global. A previsibilidade seguirá limitada, exigindo maior capacidade de adaptação por parte de governos e empresas. Em contrapartida, espera-se avanço adicional em acordos regionais, ampliação da cooperação Sul-Sul e fortalecimento de parcerias estratégicas em mercados emergentes.
Para o Brasil, 2026 tende a ser um ano decisivo para aprofundar a diversificação da pauta exportadora, ampliar a presença em mercados asiáticos e transformar relações comerciais em fluxos mais robustos de investimento e cooperação tecnológica. A combinação entre competitividade produtiva, diplomacia econômica ativa e adequação a padrões internacionais será determinante para o posicionamento do país em um comércio exterior cada vez mais fragmentado, competitivo e estratégico.
Autora: Charlene Pavloski
