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A China começou a cobrar, desde a 0h de 1º de outubro (horário de Pequim), uma sobretaxa de 55% sobre a carne bovina importada do Brasil que entrar no país acima da cota anual definida para 2026. O Ministério do Comércio chinês (MOFCOM) confirmou em 29 de setembro que as importações de origem brasileira atingiram 100% do volume previsto, e informou no dia seguinte o início da cobrança adicional. A cota brasileira deste ano, segundo os dados divulgados pelo próprio MOFCOM e reproduzidos pela imprensa, era de cerca de 1,1 milhão de toneladas.

O que muda

A medida decorre da salvaguarda sobre importações de carne bovina anunciada pela China no Anúncio MOFCOM nº 87/2025, de 31 de dezembro de 2025. O mecanismo funciona com cotas por país: dentro do volume estabelecido, a carne entra pagando a tarifa normal de importação; acima dele, passa a incidir um adicional de 55% sobre a alíquota vigente. Pelo texto do anúncio, a cobrança começa no terceiro dia depois que o país atinge sua cota.

  • Produtos: carnes bovinas frescas, refrigeradas e congeladas, com e sem osso.
  • Vigência da salvaguarda: três anos, de 1º de janeiro de 2026 a 31 de dezembro de 2028, com previsão de liberalização gradual ao longo do período.
  • Cota anual: a sobretaxa vale para o restante de 2026; a contagem recomeça com a cota de 2027.

Salvaguardas são instrumentos de defesa comercial previstos nas regras da OMC para proteger a produção doméstica de um aumento expressivo de importações. Para entender como funcionam e como se diferenciam do antidumping, vale rever o nosso conteúdo sobre medidas de salvaguarda no comércio internacional.

Impacto para importadores e exportadores

A China é o principal destino da carne bovina brasileira, e um adicional de 55% torna pouco competitivas as vendas fora da cota até o fim do ano. O efeito mais imediato recai sobre frigoríficos exportadores, inclusive plantas do Rio Grande do Sul habilitadas para o mercado chinês, mas a cadeia é mais ampla.

  • Contratos em andamento: como a tarifa é cobrada na importação, na China, cargas que chegarem ao destino a partir de agora tendem a ser alcançadas pela sobretaxa. Compradores podem pedir renegociação de preço, adiamento ou cancelamento de embarques.
  • Redirecionamento de volumes: a carne que deixa de ir para a China precisa encontrar outros mercados, o que pressiona preços de exportação e o mercado interno. Destinos alternativos também têm restrições próprias, como mostramos ao analisar o impacto da sobretaxa americana sobre a carne brasileira.
  • Logística: a redução de embarques para a Ásia afeta a demanda por contêineres refrigerados (reefers), armazéns frigoríficos e serviços de despacho de exportação.
  • 2027: com a cota zerada em janeiro, a tendência é de corrida aos embarques no início do ano, o que pode antecipar o esgotamento do novo volume.

Segundo a imprensa, o governo brasileiro tenta negociar com Pequim o uso de parte da cota não utilizada pelo Uruguai em 2026, o que ainda depende de aprovação chinesa. O episódio reforça a dependência da pauta exportadora em relação à China, tema que já abordamos ao analisar a mudança de destino das exportações brasileiras entre EUA e China.

O que fazer agora

  • Levantar todas as cargas embarcadas ou programadas para a China e confirmar com o comprador a previsão de chegada e de desembaraço.
  • Revisar contratos e Incoterms: verificar quem arca com tributos no destino e se há cláusulas de revisão de preço ou de cancelamento.
  • Avaliar a reprogramação de embarques não urgentes para o início de 2027, considerando a validade sanitária do produto e o custo de armazenagem.
  • Mapear mercados alternativos em que a planta já esteja habilitada e checar exigências sanitárias e documentais antes de redirecionar cargas.
  • Acompanhar os comunicados do MOFCOM e das autoridades brasileiras sobre eventual uso da cota uruguaia e sobre a distribuição da cota de 2027.

Empresas de outros setores com forte exposição à China também devem observar o movimento: salvaguardas por cota podem ser usadas em outros produtos, e o histórico recente mostra oscilações relevantes nas exportações do RS para a China.

A Efficienza acompanha de perto as medidas de defesa comercial que afetam o exportador brasileiro e apoia empresas no planejamento logístico e aduaneiro das exportações. Fale com nossa equipe para avaliar o impacto nas suas operações.

Fonte: Ministério do Comércio da China (MOFCOM) – Anúncio nº 87/2025; CNN Brasil.

Autor: Redação Efficienza

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram crescimento significativo em abril de 2025, justamente no primeiro mês em que os produtos passaram a ser submetidos às tarifas de 10% impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil vendeu aos EUA um total de US$ 3,5 bilhões em mercadorias nesse período, o que representa um aumento de 20% em relação ao mesmo mês de 2024, quando o valor exportado foi de US$ 2,9 bilhões.

As tarifas recíprocas e abrangentes adotadas pelos Estados Unidos entraram em vigor no dia 5 de abril, o que gerou preocupações iniciais quanto ao impacto negativo sobre o comércio bilateral. No entanto, os números demonstram que, ao menos no curto prazo, as exportações brasileiras conseguiram manter fôlego e até se expandir. A participação dos Estados Unidos na pauta de exportações do Brasil cresceu de 9,6% em abril de 2024 para 11,7% em abril de 2025. Em comparação ao mês anterior, março de 2025, quando os embarques ao mercado norte-americano somaram US$ 3,1 bilhões, também se observa uma elevação expressiva.

No acumulado do primeiro quadrimestre de 2025, as exportações do Brasil para os Estados Unidos somaram aproximadamente US$ 13,1 bilhões, superando os US$ 12,6 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado. Vale destacar que, até março, as vendas apresentavam queda na comparação anual. O desempenho de abril foi decisivo para reverter essa tendência negativa e marcar uma inflexão no comportamento do comércio entre os dois países.

Entre os principais produtos que impulsionaram esse crescimento destacam-se as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, que apresentaram alta de 208% em relação ao mesmo período de 2024, resultando em um incremento de US$ 402 milhões no faturamento. Também se destacaram os embarques de sucos de frutas ou de vegetais, que cresceram 87%, somando mais US$ 265 milhões, além das exportações de aeronaves e outros equipamentos, que aumentaram 42%, com um acréscimo de US$ 185 milhões nas vendas ao mercado norte-americano.

Apesar do bom desempenho geral, alguns segmentos registraram retrações no acumulado do quadrimestre. As exportações de produtos diversos da indústria de transformação caíram 13%, com uma redução de US$ 78 milhões. Também houve queda de 8% nos embarques de ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pós de ferro ou aço, além de ferro-ligas, resultando em uma perda de US$ 53 milhões. O setor de celulose também apresentou recuo de 8%, com redução de US$ 43 milhões no total exportado.

O crescimento das exportações brasileiras em um cenário de maior protecionismo por parte dos Estados Unidos indica resiliência de setores específicos da economia nacional e a manutenção da competitividade de produtos-chave no mercado norte-americano, mesmo diante de um ambiente comercial mais adverso.

Autor: Pedro Henrique Moretto Rodrigues

O carro chefe das exportações brasileiras em 2020 vem sendo o agronegócio, superando e batendo recordes, com números que chegaram segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em abril de 2020 a marca de US$ 10,22 bilhões, 25% a mais que o mesmo mês em 2019, sendo que o recorde anterior ocorreu em abril de 2013 com exportações chegando a cifra de US$ 9,65 bilhões.

A soja foi o commodity que liderou as exportações brasileiras, sendo que o principal mercado de destino foi a China. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério Economia e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), apontam que o Brasil exportou para a China 60 milhões de toneladas em 2019 ante 66 milhões de toneladas em 2018. O país bateu novo recorde de exportação em março (13,3 milhões de toneladas contra 12,3 milhões de toneladas em maio de 2018) e já escoou 35 milhões de toneladas neste ano. Cerca de 60% da safra 2019/2020 já foram comercializadas e mais de 30% da safra 20/21.

Outra commodity responsável por este salto nas exportações é a carne bovina ela foi o principal produto entre as carnes no quadrimestre, sendo responsável por 45,3% do valor exportado. As vendas de carne bovina in natura registraram recorde histórico para o quadrimestre em valor (US$ 2,13 bilhões) e quantidade (469,76 mil toneladas). A China representou quase metade das exportações brasileiras do produto no período (49,6%), sendo o mercado que mais contribuiu para o crescimento de 26,5% em relação a 2019.

Mesmo em meio a uma terrível pandemia como a da COVID-19 que está dizimando milhares de vítimas por todo mundo e inclusive aqui no Brasil, ainda podemos comemorar resultados positivos e que nos deixam esperançosos de que logo tudo irá passar e a economia e suas nações poderão se recuperar e voltar a prosperar.

Não deixe de contatar a Efficienza para auxiliá-lo em seus processos de exportação e importação, somos especialistas em Comércio Exterior.

Por Francieli Bruschi Pontalti.