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Cinco dias. Foi esse o tempo médio que os porta-contêineres com destino a Navegantes (SC) passaram fundeados à espera de berço entre 30 de setembro e 6 de outubro, segundo o boletim semanal de portos da Kuehne+Nagel. Pela metodologia da empresa, uma média acima de quatro dias coloca o porto na faixa de operação “fortemente afetada”, a mais alta antes do fechamento. No mesmo período, o pátio do terminal da Portonave estava com 78% de ocupação, dado atribuído à Hapag-Lloyd. Do outro lado do rio, Itajaí registrou espera média de cerca de dois dias.

O número pesa porque Navegantes é uma das principais portas de contêineres de Santa Catarina, com importações de manufaturados e insumos e exportações de carga refrigerada. E a fila se forma num momento em que o complexo do Itajaí-Açu acumula interrupções e se prepara para receber mais escalas a partir de dezembro.

Um canal que fecha a cada chuva forte

O acesso aquaviário, compartilhado por Navegantes e Itajaí, foi interrompido várias vezes nas últimas semanas. No fim de agosto, a correnteza provocada pelas chuvas na bacia do Itajaí-Açu levou à interdição total do canal, liberado parcialmente pela Marinha só em 3 de setembro, com manobras concentradas nos períodos de maré enchente. Em 22 de setembro, um navio rompeu três cabos de amarração e se afastou do cais, o que fechou o canal até o dia 24, quando as manobras voltaram com janelas restritas (das 8h às 13h e das 20h à meia-noite). Na noite de 26 de setembro foi a vez da neblina. E em 2 de outubro a Capitania dos Portos reabriu o canal mais uma vez com restrições: seis manobras autorizadas entre 11h e 16h15.

Cada interrupção represa navios do lado de fora e, quando o canal reabre, as atracações chegam em sequência, o que explica parte da pressão no pátio. Em agosto, a administração do Porto de Itajaí já havia antecipado o uso de uma draga de sucção para reforçar a manutenção do canal diante dos efeitos do El Niño.

Obra na reta final, alívio só no fim do ano

A Portonave atribui o aperto, em parte, à obra de adequação do cais, iniciada em janeiro de 2024. Em 18 de agosto, o terminal entregou mais 250 metros renovados e voltou a atracar dois navios ao mesmo tempo, com 700 metros em operação. A obra estava 96% concluída no fim de agosto e deve terminar no último trimestre deste ano, quando o cais terá 900 metros, poderá receber três navios simultâneos e a capacidade anual subirá de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs. O canal, porém, continua sendo o limite: a concessão da sua manutenção, com aprofundamento para 16 metros, foi aprovada pelo TCU em maio e o leilão ainda está previsto para este ano.

Há um sinal de melhora. A atualização operacional da Hapag-Lloyd de 6 de outubro mostra Navegantes com espera acima de seis horas, mas com tendência de recuperação na semana. Itapoá e o Tecon Rio Grande também aparecem com espera acima de seis horas, ambos em piora, e o TCP, em Paranaguá, com tempo de permanência no pátio acima da meta. Ou seja: as alternativas no Sul também estão apertadas.

Dezembro traz mais navios para o mesmo rio

A pressão tende a aumentar com a nova malha de serviços da Ásia. Como mostramos ao detalhar as mudanças nas rotas Ásia–Brasil a partir de dezembro, Navegantes ganha escalas em serviços reformulados. A OOCL também anunciou para meados de dezembro o serviço TLA3, que passa duas vezes por Navegantes na mesma rotação, além de Santos.

Para quem importa, a espera no fundeio costuma não consumir o free time do contêiner, que em geral começa a contar na descarga, mas atrasa toda a cadeia: chegada à fábrica, presença de carga, registro da declaração. O risco maior está depois, quando vários navios descarregam em sequência e a retirada demora. Vale conferir no contrato de frete o que acontece se o armador omitir a escala e descarregar em outro porto, quem paga a remoção e a partir de quando corre a franquia. Esse tipo de situação, aliás, está entre os temas da revisão das regras de sobrestadia que a Antaq recebe até 20 de outubro. Para revisar os conceitos, o artigo sobre como evitar demurrage de contêiner ajuda.

Na exportação, o ponto de atenção é o deadline: com navios atrasados, a janela de entrega no terminal muda e aumenta o risco de rolagem. Para cargas urgentes, consultar o agente sobre a situação semanal de cada terminal antes de fechar o porto de embarque é uma precaução simples. A Efficienza segue monitorando os portos catarinenses e as próximas atualizações dos armadores.

Fonte: Kuehne+Nagel – Port operational updates (30 set – 6 out 2026); Hapag-Lloyd – Operational updates Latin America, semana 41; Portonave.

Autor: Redação Efficienza

O maior navio de transporte de veículos do mundo, o BYD Shenzhen, atracou no Porto de Itajai, em Santa Catarina na manhã desta quarta-feira (28). O navio número “1” da empresa BYD, (BYD SHENZHEN), fabricante chinesa dos carros elétricos, foi lançado ao mar no dia 25 de abril na China e seguiu para a sua primeira viagem, carregando 7.292 carros da fabricante chinesa BYD.

A operação estabelece um novo recorde no Brasil, sendo a maior remessa única de veículos já realizada pela montadora no país. Entre os modelos desembarcados estão os híbridos Song Pro, novo Song Plus e Song Plus Premium, além do Dolphin Mini, o carro elétrico mais vendido no Brasil.

O BYD Shenzhen impressiona não apenas pelas dimensões — são 219,9 metros de comprimento por 37,7 metros de largura —, mas também pela complexa logística envolvida em sua operação.

O desembarque dos veículos segue o sistema RoRo (Roll-on/Roll-off), no qual os automóveis saem do navio rodando por rampas, dispensando completamente o uso de guindastes.

A operação é de grande escala, mobilizando mais de 500 trabalhadores e 130 caminhões-cegonha que operam em ritmo intenso. De acordo com a própria BYD, cerca de 100 veículos são descarregados por hora, com todo o processo monitorado digitalmente em tempo real.

SUVs híbridos são o destaque da remessa

Entre os modelos que chegaram ao país, os SUVs híbridos chamam atenção:

• Song Pro: Equipado com motor 1.5 aspirado combinado a um propulsor elétrico, entrega 223 cv na versão de entrada e 235 cv na versão topo de linha. Os preços começam em R$ 194.800.

• Novo Song Plus: Recém-reestilizado, conta com o mesmo conjunto mecânico do Song Pro, além de uma bateria de 18,3 kWh, que permite rodar até 105 km no modo 100% elétrico. A autonomia total chega a 1.200 km, com preço de R$ 249.990.

• Song Plus Premium: Apresenta um conjunto mais potente, com motor 1.5 turbo e potência combinada de 324 cv. Sai por R$ 299.800.

Dolphin Mini: o elétrico queridinho do Brasil

O carro elétrico mais vendido do país, o Dolphin Mini, também faz parte da carga. O compacto 100% elétrico traz:

• Motor de 75 cv;

• Autonomia de 280 km (dados do Inmetro);

• Preços de R$ 118.800 (versão com 4 lugares) e R$ 122.800 (com 5 lugares).

Porto de Itajaí entra na rota global da BYD

Essa operação histórica coloca o Porto de Itajaí em destaque na estratégia logística da BYD no Brasil. Até então, a maior operação da montadora no país havia ocorrido no Porto de Suape, em Pernambuco, com a chegada do navio Explorer No.1.

Agora, é o litoral catarinense que sedia a maior entrega de veículos da fabricante chinesa em território brasileiro, reforçando o papel estratégico da região na expansão da marca.

Autora: Fernanda Morais de Oliveira

O Porto de Itajaí apresentou um crescimento em todos os indicadores de movimentação de cargas em janeiro de 2025. Estes dados foram informados pela APS (Autoridade Portuária de Santos), responsável pela gestão da infraestrutura do porto.

O aumento total, considerando a área pública e os terminais de uso privado, foi de 26%, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. No primeiro mês de 2025, foram movimentadas 1,27 milhão de toneladas, enquanto em janeiro de 2024, esse número ultrapassou 1 milhão de toneladas.

No cais público, a movimentação atingiu 47,9 mil toneladas, representando um aumento de 28% em relação a 2024, quando foram movimentadas 37,4 mil toneladas. “O avanço em janeiro é fruto do entendimento sólido entre a comunidade portuária de Itajaí e Navegantes, suas administrações locais e a gestão técnica pública da APS-Itajaí”, enfatizou o presidente da APS, Anderson Pomini. “Fizemos a gestão mais inclusiva, promovendo a participação local, e aproveitamos os empregados que já estavam aqui, o que tem proporcionado significativos progressos na recuperação da excelência do porto.”

Autor: Fernando Marques

O estado de Santa Catarina enfrenta desafios no setor portuário devido às condições climáticas adversas, resultando na paralisação das operações e uma fila de navios em alto-mar aguardando permissão para atracar nos portos de Itajaí e Navegantes. Como resultado, existe o potencial de atrasos na chegada de navios ao porto de Rio Grande.

Na última segunda-feira, alguns navios permaneceram ancorados, uma situação provocada pela suspensão das atracações no Complexo Portuário do Itajaí-Açu devido às condições climáticas. Parte dos navios programados para atracar na Portonave nos próximos dias desviou sua rota para outros terminais, como o Porto de Paranaguá. Outros permanecerão na área aguardando uma “janela” de oportunidade para retomar as operações.

As condições de navegação, incluindo vento, correntes marítimas e a correnteza do Rio Itajaí-Açu, são avaliadas pela Praticagem e certificadas pela Marinha do Brasil, que decide sobre a abertura ou o fechamento do canal.
Com a previsão de mais chuvas e enchentes em cidades como Rio do Sul, a tendência é que a correnteza do Rio Itajaí-Açu permaneça intensa nos próximos dias, tornando incerta a retomada das manobras. Além disso, os portos de Itapoá e São Francisco do Sul, localizados no norte do estado, e o porto de Imbituba, no sul, não enfrentam o mesmo impacto das correntezas fluviais, pois suas instalações ficam em áreas marítimas, sem interferência direta de rios. No entanto, esses terminais também estão sendo monitorados quanto às condições de operação. Como resultado, espera-se que o tráfego de navios no porto de Rio Grande possa ser afetado por atrasos decorrentes desse cenário complexo.

Por: Pedro H Moretto Rodrigues