O complexo portuário de Itajaí e Navegantes (SC) voltou a ficar sem entrada e saída de navios. Às 17h50 de quarta-feira, 4 de novembro, a Superintendência do Porto de Itajaí (SPI) informou que a barra foi declarada em impraticabilidade total: a correnteza do rio Itajaí-Açu chegou a 2,9 nós, cerca de 5,4 km/h, acima dos parâmetros de segurança da navegação. A SPI tratou a medida como preventiva e disse aguardar a liberação da autoridade marítima para retomar as manobras. Até a noite de quarta, não havia previsão de reabertura.

Foi a segunda interrupção em dois dias. Na terça-feira (3), a neblina já havia fechado a barra das 10h52 às 12h40, segundo o Diarinho. Para quem tem contêiner a bordo de um navio com destino a Portonave ou ao terminal da JBS em Itajaí, a conta de horas parado começa a pesar justamente na reta final dos embarques de fim de ano.

Um rio que não dá trégua desde agosto

O fechamento desta semana repete um roteiro conhecido. No fim de agosto, a barra ficou cerca de 45 horas interditada, com navios esperando ao largo, de acordo com a NSC Total. Em 1º de outubro, a Capitania dos Portos suspendeu as manobras a partir das 11h45, também por causa da correnteza. E desde 15 de outubro vale a folga adicional de 80 centímetros abaixo da quilha exigida pela Marinha, que reduz o calado e, com ele, a carga que cada navio consegue trazer ou levar.

O pano de fundo é o El Niño, que aumenta as chuvas no Vale do Itajaí, acelera a vazão do rio e carrega mais sedimento para o canal. Em outubro, a espera de navios em Navegantes chegou a cinco dias, e a projeção de pico do fenômeno para novembro mantém o risco de novos fechamentos nas próximas semanas.

A troca de draga e os novos sensores no canal

Do lado da infraestrutura, a semana trouxe uma mudança de planos. A draga Utrecht, esperada para quarta-feira, precisou de manutenção, e a Van Oord, responsável pela dragagem do canal, enviará em seu lugar a HAM316, com chegada prevista para sábado, 7 de novembro. Ela fará uma campanha complementar para recuperar profundidade. Enquanto isso, a draga Njord segue com a manutenção diária por injeção de água.

Pelas últimas medições homologadas pela Capitania, a maior profundidade é de 13,5 metros, na bacia de evolução 2, e os berços da Portonave e da JBS Terminais ficam entre 12,2 e 12,9 metros. Na terça, a SPI também instalou dois marégrafos de radar e uma estação meteorológica, cobrindo cerca de 9,3 km do canal de acesso, para ter dados mais precisos na hora de decidir sobre as manobras.

Santa Catarina ensaia o plano B

A novidade mais prática para importadores e exportadores veio de fora do porto. Numa reunião em 3 de novembro, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) criou um grupo de trabalho para montar um plano de contingência, com a participação da Receita Federal, da Anvisa e do Vigiagro. A ideia é remanejar cargas para outros terminais catarinenses caso o clima paralise Itajaí e Navegantes, que recebem cerca de 20 navios por semana.

Segundo o relato da reunião, Imbituba estimou ter 10 mil TEUs de capacidade adicional temporária, enquanto Itapoá já opera acima de 80% da capacidade. A Receita Federal pode editar uma portaria local que autorize, em caráter excepcional, transferências de carga entre recintos alfandegados. O ato ainda não foi publicado, e por isso não há regra definida. A lembrança de outubro de 2023, quando o canal ficou 16 dias fechado e mais de 40 navios ficaram retidos, explica a pressa.

Na prática, um navio desviado para Imbituba, Itapoá ou Paranaguá muda o caminho da mercadoria. Na importação, a carga descarregada em outro porto precisa ser nacionalizada ali ou seguir em trânsito aduaneiro até o recinto original, com custo de frete rodoviário e armazenagem extra. Também vale conferir com o armador se o free time do contêiner cobre o atraso, para não somar demurrage a um problema que não foi causado pelo importador. Na exportação, o risco é a rolagem para a escala seguinte, sensível para carga refrigerada e para vendas amarradas a carta de crédito com data de embarque.

O próximo marco é a chegada da HAM316 no sábado e a publicação, ou não, da portaria da Receita sobre as transferências entre recintos. Até lá, quem depende do complexo deve acompanhar os avisos da SPI e do armador a cada escala. A Efficienza pode avaliar, carga a carga, se compensa esperar a reabertura ou mudar de porto.

Fonte: Superintendência do Porto de Itajaí – Nota à imprensa (04/11/2026); SPI – substituição de draga e chegada da HAM316 (03/11/2026); SPI – novos equipamentos de monitoramento (03/11/2026); Diarinho (04/11/2026); Mix Vale – plano da FACISC contra o El Niño (04/11/2026); NSC Total (02/09/2026).

Autor: Redação Efficienza