No primeiro mês de vigência da tarifa de 50% imposta pelo governo norte-americano, houve uma queda de 18,5% (US$ 3,39 bi para US$ 2,76 bi) das exportações brasileiras para os Estados Unidos em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já, as exportações para a China aumentaram em 29,9% (US$ 7,38 bi para US$ 9,59 bi). O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou estes dados no último dia 4.
No geral, as exportações brasileiras caíram para 9,3%, se comparado aos 11,8% registrado no mesmo mês do ano anterior.
Entretanto, Herlon Brandão, Diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, não atribui o resultado a um impacto de mudanças impostas pelo novo regime tarifário. “Para falar o que é efeito de tarifa, é preciso de tempo”, diz. “Não tem como aferir que é o produto de um país indo para outro.”
Além disso, para Brandão, choques tarifários costumam causar grande impactos comerciais. “É muito provável que, sim, [o recuo das exportações para os EUA] esteja relacionado a uma maior tarifa, que gera um maior nível de preços e uma redução de demanda”, disse.
O resultado foi de queda de 11,9% para a União Europeia. Caso forem analisadas todas as exportações e importações brasileiras para diferentes países, o saldo da balança comercial no mês foi positivo em US$ 6,1 bilhões, em relação ao mesmo mês de 2024, teve um aumento de 35,8%.
No entanto, os dados demonstram uma significativa queda no valor embarcado para os EUA de produtos sujeitos às novas tarifas, como açúcar (-88,4%), carne bovina (-46,2%) e madeira (-39,9%).
Além disso, os valores absolutos importados pelo país de produtos inclusos nas isenções posteriormente anunciadas pelo governo Donald Trump também recuaram. Como por exemplo, as aeronaves e partes de aeronaves (-84,9%), óleos combustíveis (-37%), minério de ferro (-100%) e celulose (-22,7%).
“Eles caíram mesmo não estando sujeitos às tarifas. Então, atribuo muito aos efeitos da antecipação de julho”, diz Brandão. No mês citado, quando já se sabia que as taxas entrariam em vigor no dia 6 de agosto, foi antecipado um grande volume de compras por estadunidenses.
Porém, o mês não foi marcado apenas por recuos. Também houve crescimento nas vendas para os EUA de produtos como instalações e equipamentos de engenharia civil, óleos e gorduras animais, albumina, pneu de borracha, alumínio, veículos de transporte de mercadorias, café não torrado, geradores elétricos e suco de laranja.
Houve uma queda, se comparado com o ano passado, nos preços de diversas commodities exportadas para a China. Mesmo assim, teve um crescimento no volume embarcado impulsionando o crescimento no valor absoluto enviado ao país asiático. Pode ser destacado o aumento no valor exportado de óleos brutos de petróleo (75%), soja (28,4%), carne bovina (84%), minério de ferro (4,9%) e açúcar e melaço (20%).
Além da China, o relatório do MDIC destaca o crescimento nos valores importados para nações como o México (43,8%), Argentina (40,4%) e Japão (7,6%).
Fonte: IstoÉ Dinheiro
Autora: Helena Melina Campagnolo Ribeiro