Pela segunda vez em menos de duas semanas, um porta-contêineres carregado com mercadorias para o Brasil pegou fogo no caminho. O Espirito Santo Express, navio de cerca de 12 mil TEUs operado pela Hapag-Lloyd e de propriedade da Seaspan, saiu de Singapura com destino a Santos e sofreu um incêndio entre 15 e 16 de outubro, em pleno Atlântico Sul. A tripulação abandonou a embarcação e, segundo a Hapag-Lloyd, todos os tripulantes estão em segurança. O navio, que segundo relatos estava totalmente carregado, ficou à deriva.

A chegada a Santos estava prevista para 18 de outubro. De acordo com a publicação especializada MásContainer, o navio fazia a rotação AS2, que liga Busan, Xangai, Ningbo, Shekou, Hong Kong e Singapura à costa leste da América do Sul, e havia contêineres com destino a Santos, Paranaguá, Navegantes e Rio Grande, além de Montevidéu e Buenos Aires. Em outras palavras, importadores de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul podem ter carga a bordo.

Um navio sem tripulação no meio do oceano

O que torna este caso mais delicado é a distância. O aviso de navegação emitido em 15 de outubro situou o navio a cerca de 28° de latitude sul e 26° de longitude oeste, a mais de 1.500 km da costa do Rio de Janeiro. A Força Aérea Brasileira enviou um KC-390 para apoiar a busca e o salvamento, e navios mercantes que passavam pela região foram desviados para ajudar. O alerta da área NAVAREA V pediu distância de segurança por risco de novas explosões e de contêineres caindo ao mar.

Até o último comunicado, a causa do fogo, a quantidade de contêineres atingidos e a eventual presença de cargas perigosas não haviam sido informadas. A Hapag-Lloyd diz que a extensão do incidente e o impacto sobre a carga e a operação ainda estão em avaliação, e não há nova data de chegada. Equipes de salvamento precisam alcançar o navio, controlar o incêndio e só então decidir se ele pode ser rebocado até um porto da América do Sul. Esse processo costuma levar semanas.

Avaria grossa ainda não declarada, mas no radar

Nem a Hapag-Lloyd nem a Seaspan confirmaram, até agora, contrato de salvamento ou declaração de avaria grossa. A imprensa especializada, porém, já trata essa hipótese como possível, porque operações desse porte geralmente geram despesas extraordinárias que acabam rateadas entre o navio e todas as cargas a bordo, inclusive as que chegarem intactas. Foi o mesmo cenário que explicamos no caso do incêndio no HMM Platinum, que seguia para os mesmos portos, e o conceito está detalhado no artigo sobre as avarias e o direito marítimo.

Se a avaria grossa for declarada, a mercadoria só é liberada mediante garantias. Quem tem apólice de transporte resolve isso, em regra, com uma carta da seguradora. Quem embarcou sem seguro pode ter de fazer depósito em dinheiro e esperar a regulação. Vale conferir agora o Incoterm de cada compra e se existe certificado de seguro, um ponto que o texto sobre a importância do seguro internacional de cargas aprofunda.

A reposição chega com frete mais caro

Para quem descobrir que a carga estava no navio, o problema imediato é o estoque. Mesmo no melhor cenário, a mercadoria vai chegar com semanas de atraso, e parte dela pode estar perdida. Recompor o pedido com o fornecedor asiático tem um custo extra: desde 15 de outubro está em vigor o aumento de US$ 1.000 por contêiner anunciado por armadores na rota Ásia–costa leste da América do Sul, como mostramos na reportagem sobre o reajuste de frete de outubro. Com dezembro se aproximando e as escalas da rota passando por mudanças, reservar espaço com antecedência ajuda a não ficar sem embarque.

O primeiro passo é cruzar os números de BL e de contêiner com a viagem do Espirito Santo Express e acionar o agente de cargas e a seguradora. A Hapag-Lloyd orienta que clientes com dúvidas procurem o atendimento local. Também convém olhar prazos que dependem da chegada da carga, como validade de LPCOs, contratos de câmbio e compromissos de entrega com clientes. O próximo marco a acompanhar é o resultado da avaliação a bordo: é ele que vai dizer se o navio será rebocado, para onde, e se a avaria grossa será declarada. Clientes da Efficienza com carga em trânsito na rota Ásia–Brasil podem contar com a equipe para checar a situação embarque a embarque.

Fonte: Hapag-Lloyd – Vessel incident: MV Espirito Santo Express (10/2026); SAFETY4SEA (19/10/2026); MásContainer (17/10/2026); GlobalPorts (17/10/2026).

Autor: Redação Efficienza