O contêiner de 40 pés da Ásia para a costa leste da América do Sul fechou a quarta-feira, 28 de outubro, cotado a US$ 5.172 no índice de curto prazo da Xeneta calculado pela Compass Financial Technologies (XSI-C Far East–South America East Coast). No último dia de setembro, o mesmo índice marcava US$ 6.968. A queda em outubro já chega a 25,8%, e só na última semana, desde os US$ 5.690 de 21 de outubro, o recuo foi de 9,1%.
O movimento chama atenção porque o mês começou com o recado oposto. Hapag-Lloyd e CMA CGM anunciaram um reajuste geral (GRI) de US$ 1.000 por contêiner nas cargas da Ásia para a América do Sul a partir de 15 de outubro, como mostramos na reportagem sobre o aumento de frete anunciado pelos armadores. No índice, o reajuste não apareceu. Em 14 de outubro o contêiner valia US$ 6.365; no dia seguinte, data em que o GRI passaria a valer, a cotação caiu para US$ 6.011, e a descida continuou nas semanas seguintes.
Do pico de setembro à metade do preço
O recuo de outubro é a segunda metade de uma curva que subiu muito rápido. O índice começou 2026 abaixo de US$ 2.000, chegou à mínima do ano em 19 de janeiro, com US$ 1.565, e disparou a partir de junho. O pico veio em 14 de setembro, com US$ 9.769 por FEU. Desde então, o preço caiu 47%.
Mesmo assim, o frete continua caro na comparação com um ano atrás. Em 28 de outubro de 2025, o mesmo índice estava em US$ 2.881. O valor atual ainda é cerca de 80% maior, e quase o triplo do que se pagava no fim de dezembro passado. Ou seja: o mercado devolveu boa parte da alta do meio do ano, mas não voltou ao patamar que o importador conheceu no começo do ano.
Vale entender o que o número mede. O XSI-C reúne tarifas FAK de curto prazo, válidas por menos de 32 dias, para contêiner de 40 pés, a partir de cotações efetivamente contratadas e informadas à Xeneta. Inclui as sobretaxas obrigatórias, mas não serviços premium nem carga especial. É uma boa régua para o spot, não para quem tem contrato anual com preço travado.
O dólar come parte do alívio
Para quem paga em reais, a queda chega menor. A alta do câmbio depois da eleição, tratada na reportagem sobre o dólar mais caro no frete, no AFRMM e na sobrestadia, absorve uma fatia do recuo em dólar. O AFRMM, calculado sobre o frete convertido, segue os dois movimentos, e o ganho real depende do dia da conversão.
Há ainda o calendário dos próprios armadores. Os serviços entre a Ásia e a costa leste da América do Sul passam por uma reestruturação em dezembro, com fim de parcerias e novas escalas nos portos do Sul, como detalhamos ao falar das mudanças nas rotas Ásia–Brasil. Mudança de rede costuma vir acompanhada de novas tentativas de reajuste, e a temporada que antecede o Ano-Novo Chinês, no início de fevereiro de 2027, costuma apertar o espaço nos navios.
Quem compra da Ásia ganha uma janela, não uma garantia
Para o importador do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina que traz insumos e máquinas da China, o momento favorece revisar cotações antes de fechar os embarques do primeiro trimestre. Algumas atitudes ajudam:
- pedir nova cotação spot e comparar com o que foi fechado em setembro, quando o índice estava perto do pico;
- conferir na proposta se a validade cobre a data de embarque, já que tarifas FAK costumam valer por poucas semanas;
- verificar se o GRI de 15 de outubro ou sobretaxas de temporada aparecem destacados na cotação, mesmo com o mercado em queda;
- em compras FOB, avaliar antecipar a reserva das cargas que precisam chegar antes do feriado chinês.
Do lado da exportação o sinal é outro. A Hapag-Lloyd anunciou GRI de US$ 1.000 por contêiner padrão a partir de 15 de novembro nas saídas da costa leste da América do Sul para a costa oeste do continente, a América do Norte, a América Central e o Caribe. Quem vende nessas rotas em CFR ou CIF deve rever as cotações enviadas aos clientes.
O índice é diário e publicado no fim da tarde europeia. O próximo teste é a primeira quinzena de novembro, quando se verá se os armadores conseguem segurar a queda antes da reorganização das rotas. A equipe de logística da Efficienza pode comparar a sua cotação com a referência do mercado antes do fechamento do embarque.
Fonte: Compass Financial Technologies – Xeneta Shipping Index by Compass, Far East to South America East Coast (série diária até 28/10/2026); MundoMaritimo (06/10/2026); Container News (15/10/2026).
Autor: Redação Efficienza



