A indústria gaúcha vendeu US$ 1,7 bilhão ao exterior em setembro, só 1,1% acima do mesmo mês de 2025. O número esconde um mês de movimentos opostos: alimentos e celulose cresceram com força, enquanto o fumo despencou e a Argentina comprou bem menos. Os dados foram divulgados pela FIERGS na quinta-feira (15), no mesmo dia em que a Farsul apresentou o balanço do agronegócio do estado, que embarcou US$ 1,86 bilhão no mês, alta de 10%.

No levantamento da FIERGS, o volume embarcado pela indústria ficou praticamente estável (-0,4%). O que garantiu o resultado positivo foram os preços de exportação, em média 4% mais altos. Dos 23 segmentos acompanhados, 14 aumentaram a receita.

Soja e celulose seguram a conta

O setor de alimentos faturou US$ 571 milhões, 17,7% a mais que em setembro do ano passado. O farelo de soja respondeu por US$ 143 milhões, com a Espanha como principal compradora (US$ 53,6 milhões). Celulose e papel tiveram o maior salto proporcional: alta de 74,6%, para US$ 124 milhões, quase tudo em pastas químicas de madeira, com a China na liderança das compras.

O retrato do agro, feito pela Farsul, aponta na mesma direção. O volume exportado subiu 19,2%, para 2,87 milhões de toneladas, puxado pelo complexo soja, celulose, carne de frango e arroz. A China levou US$ 828,1 milhões, ou 44,6% de tudo o que o agro gaúcho vendeu em setembro, com crescimento de 21,8%. No acumulado de janeiro a setembro, o agronegócio do RS soma US$ 11,75 bilhões, 10% acima de 2025.

Do lado das perdas, o fumo foi o destaque negativo nos dois levantamentos. Na indústria, a receita do segmento caiu 40,3%, para US$ 233 milhões, com a Bélgica, principal compradora, reduzindo suas encomendas em US$ 55,3 milhões. As carnes bovina e suína também recuaram em valor, 23% e 20% respectivamente, segundo a Farsul. E a carne bovina deve seguir pressionada em outubro, quando entrou em vigor a sobretaxa de 55% cobrada pela China após o esgotamento da cota de 2026.

Argentina vira o ponto fraco

Entre os destinos da indústria, o maior tombo veio do vizinho. As vendas para a Argentina somaram US$ 117 milhões, 30,4% abaixo de setembro de 2025, uma perda de US$ 51,2 milhões em um único mês. Para fabricantes gaúchos de máquinas, autopeças, químicos e bens de consumo, que têm no mercado argentino um destino tradicional, é um sinal para revisar previsões de embarque e prazos de recebimento.

Os Estados Unidos mostraram o movimento inverso: US$ 161 milhões, alta de 91%. A comparação, porém, é com setembro de 2025, mês em que as sobretaxas americanas já derrubavam os embarques. Frente a setembro de 2024, antes das tarifas, as vendas ainda estão 5,5% menores. A FIERGS reconhece que os níveis anteriores ao tarifaço não foram recuperados, e a solução depende do grupo de trabalho criado por Brasil e EUA para negociar sobretaxas de até 37,5%. O efeito das tarifas aparece com clareza em setores intensivos em mão de obra, como mostrou a queda de 56% no saldo da balança de calçados.

A União Europeia comprou US$ 340 milhões da indústria gaúcha (+7,4%). Para o presidente da FIERGS, Claudio Bier, o acordo Mercosul-UE já contribui para as vendas, o que reforça o movimento visto no plano nacional, em que a Europa puxou o superávit de setembro. China (US$ 71 milhões, +8,5%) e Oriente Médio (US$ 111 milhões, -4,3%) completam a lista dos principais mercados.

Importação de insumos perde fôlego

As compras externas do estado caíram 4,6%, para US$ 1,1 bilhão. O recuo veio dos bens intermediários (US$ 641 milhões, -9,8%) e dos bens de capital (US$ 237 milhões, -4,2%), enquanto os bens de consumo subiram 11%, para US$ 156 milhões. Menos insumos e menos máquinas desembarcando costumam indicar cautela da indústria com a produção dos próximos meses; já a alta dos bens de consumo aumenta a concorrência com fabricantes locais.

Para quem exporta a partir do RS, o quadro de setembro sugere olhar com atenção a concentração de clientes. Diversificar destinos, aproveitar as preferências tarifárias já em vigor com a Europa e acompanhar de perto o desfecho da negociação com Washington são os pontos que devem pesar no último trimestre. A Efficienza pode ajudar a avaliar como essas mudanças afetam a sua pauta de exportação.

Fonte: Brasil em Folhas – Exportações da indústria gaúcha crescem 1,1% em setembro (15/10/2026), com dados do Sistema FIERGS; Leouve – Exportações do agronegócio gaúcho crescem 10% em setembro (15/10/2026), com dados da Farsul.

Autor: Redação Efficienza